"Então o SENHOR me respondeu, e disse: Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas,
para que a possa ler quem passa correndo". Habacuque 2:2

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#771 Nem um jota, nem um til


Leitura: Marcos 8:1-9

Como já vimos, um evento que se repete nos evangelhos ou parece duplicado tem razão de ser. Quando o Senhor disse que “até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido” (Mt 5:18), ele falava das Escrituras do Antigo Testamento, pois o Novo ainda não existia. Porém permanece o princípio de que não existe coisa alguma na Bíblia que possa ser considerada supérflua.

Um evento é apresentado do ponto de vista histórico em uma passagem, e do ponto de vista moral em outra. Compare os livros de Reis e Crônicas. Eles podem parecer mera repetição, mas o leitor atento perceberá que os livros dos Reis mostram o aspecto histórico, e os livros de Crônicas o ponto de vista do Senhor.

Ao ler o relato de Juízes 4 você encontra um Baraque tímido e acovardado em assumir a missão colocada diante dele. Ele aparece agarrado, por assim dizer, à barra da saia de Débora. “Se você for comigo, irei; mas, se não for, não irei” (Jz 4:8), diz o medroso Baraque. Mas em Hebreus 11 temos o ponto de vista do céu. Apesar da fidelidade e trabalho de Débora, é Baraque quem é citado ali na lista dos que foram lembrados por sua fé.

Compare os eventos nos evangelhos com a menção deles nas epístolas. A ressurreição de Jesus foi tão importante que foi descrita nos quatro evangelhos tendo Maria Madalena e a outra Maria como principais testemunhas. Mas em 1 Coríntios 15:4-8 Paulo diz que Jesus “foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze... a mais de quinhentos irmãos... a Tiago... a todos os apóstolos... depois destes apareceu também a mim”. Teria Paulo se esquecido das mulheres? Não.

Ocorre que nos evangelhos temos o fato e nas epístolas a doutrina, e ali Paulo segue um princípio bíblico, adotado também pelo sistema legal, judaico e romano, de não reconhecer mulheres como testemunhas. Você se lembra do que os samaritanos disseram à mulher que lhes falou de Jesus? “Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo.” (Jo 4:42). Então, considerando que Paulo escrevia para judeus e gentios, não há o que estranhar.  Além disso, um conhecimento mais apurado da Bíblia mostrará a você que esta é a ordem estabelecida por Deus na Criação, ainda que em Cristo não exista distinção de gêneros.

(Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

#770 Passagens semelhantes


Leitura: Marcos 8:1-9

“Naqueles dias, outra vez reuniu-se uma grande multidão. Visto que não tinham nada para comer, Jesus chamou os seus discípulos e disse-lhes: ‘Tenho compaixão desta multidão; já faz três dias que eles estão comigo e nada têm para comer. Se eu os mandar para casa com fome, vão desfalecer no caminho, porque alguns deles vieram de longe’. Os seus discípulos responderam: ‘Onde, neste lugar deserto, poderia alguém conseguir pão suficiente para alimentá-los?’  ‘Quantos pães vocês têm?’, perguntou Jesus. ‘Sete’, responderam eles. Ele ordenou à multidão que se assentasse no chão. Depois de tomar os sete pães e dar graças, partiu-os e os entregou aos seus discípulos, para que os servissem à multidão; e eles o fizeram. Tinham também alguns peixes pequenos; ele deu graças igualmente por eles e disse aos discípulos que os distribuíssem. O povo comeu até se fartar. E ajuntaram sete cestos cheios de pedaços que sobraram. Cerca de quatro mil homens estavam presentes.” (Mc 8:1-9).

No capítulo 6 deste Evangelho de Marcos já tínhamos visto o Senhor multiplicar pães e peixes para alimentar uma multidão. Aqui ele volta a fazer aquele mesmo milagre, e um leitor mais apressado poderia achar desnecessário repetir algo que já foi descrito em detalhes no mesmo evangelho em outra ocasião. Ou talvez até ache que os quatro evangelhos não deveriam ficar repetindo coisas, mas cada um apresentar apenas aspectos novos da vida e obra de Jesus. Será?

Os Evangelhos não são repetitivos. Eles apresentam diferentes ângulos de um mesmo evento para sempre aprendermos algo novo. Será que você percebeu que quando Lucas, “o médico amado” (Cl 4:14), descreve curas ele dá mais detalhes da enfermidade?

Por exemplo, Mateus e Marcos se limitam a dizer que a sogra de Pedro tinha febre, mas Lucas a diagnosticou com “febre alta” (Mt 8:14; Mc 1:30; Lc 4:38). Em Atos 28:8 ele descreve o pai de Públio, de Malta, como “doente, acamado, sofrendo de febre e disenteria.”. Lucas é o único a descrever a agonia física e emocional de Jesus com detalhes não encontrados nos outros evangelhos: “Apareceu-lhe então um anjo do céu que o fortalecia. Estando angustiado, ele orou ainda mais intensamente; e o seu suor era como gotas de sangue que caíam no chão.” (Lc 22:43-44).

Portanto quando ler uma passagem procure descobrir o que nela difere de outra semelhante e descobrir a razão. Você pode aprender muito com isso.

(Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

#769 Milagres passageiros e eternos


Leitura: Marcos7:36-37

O episódio da cura do surdo-mudo revela a incapacidade do ser humano, tanto de ouvir a Palavra, como de clamar por salvação. Não fosse pela instrumentalidade de outros aquele homem nunca teria ido a Jesus, que operou nele uma obra sobrenatural para que pudesse ouvir e falar. Existe também um aspecto dispensacional e profético na passagem, mostrando o quão surdos estavam os judeus aos apelos do Senhor e o modo como ele irá restaurar o seu povo terreno para que, no futuro, possa adorá-lo.

Após curar o surdo-mudo, “Jesus ordenou-lhes que não o contassem a ninguém. Contudo, quanto mais ele os proibia, mais eles falavam. O povo ficava simplesmente maravilhado e dizia: ‘Ele faz tudo muito bem. Faz até o surdo ouvir e o mudo falar’.” (Mc 7:36-37). Agora vemos o povo indiferente ao mandamento de Jesus. O fato de elogiarem sua Pessoa não é desculpa para desobedecer a sua ordem de não divulgar seus feitos.

Hoje muitos pregam ou congregam de maneira contrária às Escrituras, argumentando que os fins justificam os meios. Mas existe um princípio muito claro na Palavra de Deus em 1 Samuel 15:22-23, que diz: “Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros. Pois a rebeldia é como o pecado da feitiçaria, e a arrogância como o mal da idolatria.”.

Se naquele momento muitos se maravilhavam com as curas e milagres, pense no privilégio que é viver do lado de cá da obra consumada na cruz. Os sinais que Jesus fazia eram benefícios passageiros, apenas amostras de como será o seu reino de mil anos na terra. O que temos hoje é infinitamente melhor, é a certeza de uma salvação já consumada e inabalável. Quem hoje corre atrás de milagres e sinais passageiros é como criança que ganha um brinquedo caro e decide brincar com a embalagem.

Jesus disse: “Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai.” (Jo 14:12). Se já era um privilégio ver os sinais e maravilhas de Jesus na terra, maior privilégio tem o crente hoje com Cristo glorificado nos céus e usando os seus para fazerem “coisas ainda maiores do que estas”. Mas o que pode ser maior que curar leprosos, cegos e aleijados? Ou multiplicar pães para alimentar multidões? Simples. Levar pecadores a Jesus para serem salvos do juízo eterno.


(Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)
As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

Para baixar os vídeos:

http://www.mediafire.com/?50ddj2c90jjjs É permitido gravar, copiar e distribuir gratuitamente.

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