"Então o SENHOR me respondeu, e disse: Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas,
para que a possa ler quem passa correndo". Habacuque 2:2

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#151 Salvos pra quê?



Leitura: João 4:21-26
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Bw_IXxMALGo
Anterior: #150 O ópio do povo

Agora Jesus vai mostrar à mulher samaritana "para quê" uma alma é salva. Há basicamente três maneiras de se encarar a salvação: do homem para o homem, de Deus para o homem e de Deus para Deus. A primeira envolve acreditar que somos salvos por nossos méritos e esforços e para o nosso benefício. Começa no homem e termina no homem. Deus serve apenas para dar sorte ou para não dar azar, se for devidamente agradado.

A segunda é quando você realmente crê em Jesus, mas visando a sua felicidade. Você crê que a salvação vem de Deus, pela fé somente, mas que Deus existe para fazer você feliz, lhe dar uma vida próspera e sem doenças. Tudo começa em Deus, mas termina no homem. Deus é visto como seu servo e tem por obrigação de agradá-lo.

A terceira abordagem é a correta. A salvação vem exclusivamente de Deus, porém não é para nós mesmos que somos salvos, mas para sermos adoradores. É claro que somos beneficiados em tudo isso, mas o objetivo é Deus e seu Filho Jesus, em quem todas as coisas irão convergir no final. Portanto, para a pergunta "Para quê somos salvos?", a resposta é "Para adorarmos a Deus".

Os samaritanos adoravam a quem não conheciam, no lugar errado e da maneira errada. Jesus diz que os judeus adoravam quem conheciam e que a salvação vem dos judeus. Entenda que a salvação não são os judeus, mas foi de uma mulher judia que veio o Cristo, o Messias, o enviado de Deus. Deus quis que fosse assim, portanto não há o que discutir. Ao se revelar à mulher samaritana, quando ela pergunta sobre o Messias, Jesus diz: "Eu sou, eu que falo contigo". "Eu sou" é a mesma expressão usada por Jeová para se revelar a Moisés.

E ele diz que "Deus busca adoradores que o adorem em espírito e em verdade". Até aquele momento, adorar em verdade significava adorar no Templo de Jerusalém e da forma como Deus ordenara, e não no monte Gerizim como faziam os samaritanos. Mas, apesar de adorarem em verdade, os judeus não adoravam em espírito. Sua adoração era da boca para fora e seu coração estava longe de Deus. Eles rejeitaram o Messias.

Hoje todo salvo pela fé em Jesus tem o Espírito Santo e pode adorar a Deus em espírito em qualquer momento e lugar, sem intermediários. Porém, no que diz respeito à adoração coletiva, se você estiver adorando em um templo e com rituais copiados do Antigo Testamento, não está adorando em verdade. Se a sua adoração adicionou elementos culturais, como dança, teatro e shows, então você inventou a sua forma de adorar, como fizeram os samaritanos.

Adorar coletivamente em verdade é adorar onde estiverem dois ou três reunidos para o nome de Jesus, reconhecendo o seu senhorio, e da maneira encontrada nas cartas dos apóstolos, o único guia que temos, além do Espírito Santo, para a adoração pós-judaísmo em espírito e em verdade. O ponto alto dessa adoração é a ceia do Senhor, e não um show de celebridades. Nos próximos 3 minutos vemos o que caracteriza uma conversão real.

A seguir: #152 A comida que satisfaz

#150 O opio do povo



Leitura: João 4:18-20
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=HcYGhyiwBDU
Anterior: #149 O pedido


O ateu Karl Marx estava certo ao dizer que a religião é o ópio do povo. O ópio é um potente narcótico que anestesia a dor e impede que a gente perceba que existe um problema em nós. O diálogo de Jesus com a mulher samaritana à beira do poço passou por alguns estágios e ela vinha respondendo bem, até ele levantar a questão de sua vida devassa. Quando colocados diante de nosso pecado, imediatamente apelamos para o ópio da religião na tentativa de anestesiar nossa consciência.

"Senhor, vejo que és profeta", começa ela, numa tentativa de ganhar a simpatia daquele que tudo vê. Ela logo se esquece de seu interesse pela água viva, e se coloca na defensiva. Muda de assunto e passa a falar de religião para desviar o foco de seus pecados. É como se dissesse, "eu tenho uma religião... porque nossos pais adoraram neste monte".

Defender-se é uma característica humana. Adão alegou que a culpa de sua desobediência era da mulher que Deus tinha lhe dado. Eva culpou a serpente. Desde então, quando não estamos culpando alguém por nosso pecado, estamos tentando esconde-lo com a precária tanga feita com as folhas das boas obras do esforço próprio, como fizeram Adão e Eva. Mas Deus precisou matar um animal inocente para com sua pele fazer uma roupa que cobrisse e forma adequada Adão e Eva.

Tentamos fazer o mesmo com a religião, e entenda por "religião" qualquer boa ação ou atividade mística que fazemos na tentativa de sermos aceitos por Deus. O religioso gosta de falar de suas boas ações para se justificar e aplacar a aversão que Deus tem ao pecado. Ele não percebe que isso só pode ser resolvido com o sangue de uma vítima inocente, Jesus, que veio como propiciação por nossos pecados.

"Propiciatório" era o nome da tampa de ouro que cobria a Arca da Aliança do Antigo Testamento. O sacerdote de então precisava sacrificar um animal inocente e entrar no Santo Lugar, o aposento mais interior do Templo, levando uma bacia com o sangue do animal sacrificado. Uma vez lá dentro, ele borrifava o sangue sobre aquela tampa ou propiciatório.

Dentro da Arca havia as tábuas de pedra da lei dadas a Moisés, a mesma lei que nos condena, pois diz para não fazermos aquilo que somos incapazes de evitar, como a cobiça, que é pecar por pensamento. O fato de existir uma tampa de ouro coberta do sangue de uma vítima inocente vedando a arca onde estava essa lei mostra que Deus podia ser propício para com o pecador. Pois agora o sangue de Jesus está colocado entre Deus e as nossas culpas, e é só com base nesse sangue que você pode ser salvo de seus pecados e do juízo divino. Religião nenhuma pode fazer isso.

Do contato de Jesus com a mulher samaritana vimos até aqui como pregar o evangelho e o que é o evangelho. Nos próximos 3 minutos vamos aprender o objetivo de uma alma ser salva por Jesus.

A seguir: #151 Salvos pra quê?

#149 O pedido



Leitura: João 4:14-18
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=KaXdWp28lYI
 Anterior: #148 Agua viva


Ao conversar com a mulher samaritana à beira do poço Jesus deixa claro que a água natural obtida com esforço humano para satisfazer as necessidades humanas é efêmera. Seus benefícios duram pouco tempo, não são permanentes. Por outro lado, a água viva que ele oferece se transforma, naquele que a recebe, em uma fonte que jorra para a vida eterna, não apenas para esta vida e suas breves necessidades.

A questão é que a água viva não se obtém por esforço humano, técnicas de meditação ou mudança de atitude. É um dom ou dádiva de Deus e requer, primeiro, que a pessoa reconheça sua incapacidade de obtê-la por si própria e, segundo, que a pessoa não apenas a peça, mas que peça à pessoa certa: Jesus.

E é o que a mulher samaritana faz: "Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, nem venha aqui tirá-la". Apesar de reconhecer sua necessidade e pedir à pessoa certa, ela ainda continua misturando coisas naturais com espirituais. Ao crer em Jesus você não recebe um poço ou oceano, mas uma fonte de água viva que jorra continuamente. O Espírito Santo de Deus vem habitar em você, algo que só é possível porque Jesus morreu na cruz levando o juízo que você merecia por causa dos seus pecados.

Quando a mulher pede dessa água viva, Jesus revela algo mais. Até aqui você aprendeu que a salvação e as verdadeiras bênçãos espirituais não são obtidas por esforço próprio, que seus benefícios são eternos e não estão limitados às nossas necessidades temporárias, que a fonte legítima dessa salvação e das bênçãos que a acompanham é Jesus, e que você deve pedir a coisa certa à pessoa certa. Embora a mulher tenha consciência de sua necessidade e incapacidade de ajudar-se a si mesma, ainda falta algo: a consciência de pecado.

Por isso Jesus diz a ela para ir chamar o marido, e a mulher responde que não tem marido. Aquele que conhece todas as coisas revela aquilo que ela já sabia: ela teve cinco homens e o atual não é seu marido. Somos todos mulheres com cântaros vazios, mergulhadas no pecado e tentando de tudo para ser feliz. Porém, a cada tentativa só afundamos mais e saímos da experiência com um vazio ainda maior. Ali está ela, tão envergonhada de seu estado que o evangelho diz que é a sexta hora* quando ela vai ao poço. Que importância tem a hora para ter sido registrada aqui?

Buscar água era uma atividade das mulheres, que costumavam ir ao poço cedo de manhã. Mas à sexta hora* não há ninguém ali. Será que ela escolhia aquele horário, quando o lugar estava vazio, por ter vergonha de sua condição? Seja o que for, ela agora está sozinha com Jesus, e é assim que recebemos a salvação, em um encontro pessoal com ele, sem intermediários e distrações. Mas, quando o pecado da mulher vem à tona, ela usa o mesmo argumento que usamos quando confrontados com nosso pecado. Que argumento é este? Você verá nos próximos 3 minutos.

A seguir: #150 O ópio do povo

* Ao contrário do que foi dito no vídeo, trata-se da "sexta hora" e não "seis da tarde". A sexta hora, no modo de contar as horas da época, significa o meio-dia, a hora mais quente do dia. (Nota do Autor)

#148 Agua viva



Leitura: João 4:5-13
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=gGTddocV0kg
 Anterior: #147 Intolerância religiosa


Encontramos agora Jesus à beira de um poço, cansado e com sede. Apesar de ser Deus, em sua condição humana ele experimentava as mesmas sensações e necessidades que nós experimentamos, exceto tentações internas, já que era sem pecado. Aquele que era capaz de multiplicar os pães e transformar a água em vinho, mas que nunca usava seus poderes em benefício próprio, é visto aqui cansado e com sede.

Uma mulher samaritana se aproxima carregando um cântaro vazio, e ele pede água a ela. A mulher fica surpresa, pois um judeu jamais conversaria com uma mulher samaritana. O que ela não sabe é que não está diante de um mero judeu, mas do próprio Criador na forma humana. Para Jesus não existe discriminação. Aquela mulher tem sede? Ele também, portanto sabe como ela está se sentindo. Mas ele sabe muito mais sobre ela, por isso diz: "Se você conhecesse a dádiva de Deus e quem é que lhe pede água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva".

Pensando que Jesus estivesse falando de água natural, a mulher argumenta que o poço é fundo e ele não tem como tirar água dali. Onde ele conseguiria essa tal de água viva? Mas Jesus não está falando da água do poço e nem de qualquer água obtida por esforço humano. "Todo o que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna".

O que você vê aqui é o contraste entre a auto-ajuda e a ajuda do alto. A mulher está preocupada com necessidades momentâneas; Jesus está falando da eternidade. Ela avalia as dificuldades, a profundidade do poço, o esforço e as técnicas necessárias para obter água. Jesus fala da dádiva de Deus, que se recebe pedindo à pessoa certa. A mulher pensa em soluções pontuais e passageiras. Jesus está falando de algo definitivo.

A ideia da auto-ajuda e de seus gurus, livros e palestras, pode ser muito atraente, mas é míope. Ela oferece soluções momentâneas para necessidades passageiras. Não é capaz de ver a perspectiva eterna e definitiva que Deus oferece em Jesus. Não tem solução para a morte, mas fica repetindo que você precisa se feliz, ser próspero, ser uma pessoa melhor, pensar positivamente, seguir seu coração... e voltar no dia seguinte para uma nova revelação do guru, comprar outro livro ou ver outra palestra.

Quem beber dessa água das fontes humanas do esforço próprio só pode voltar a ter sede, mas quem beber da água que Jesus oferece, esta se transforma numa fonte que jorra para a vida eterna. Ao saber disso, nos próximos 3 minutos a mulher samaritana faz o pedido que você já deveria ter feito, se ainda não fez.

A seguir: #149 O pedido

#147 Intolerancia religiosa



Leitura: João 4:27
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=U0dopYUbm34

No final deste episódio da mulher samaritana os discípulos ficam surpresos quando encontram Jesus conversando com ela. Eles traziam em si a semente da intolerância, o que é revelado no capítulo 9 do evangelho de Lucas quando discutem entre si qual deles seria o maior.

O primeiro efeito colateral da fé cristã é sentir-se superior às outras pessoas. Isto até que faria sentido em crenças que pregam a salvação dos melhores por seus próprios méritos e esforços. Mas o que dizer do evangelho que anuncia a salvação, não aos melhores, mas aos piores pecadores? Se você é salvo por graça, por meio da fé, e isto não vem de você ou de seus méritos, vai se gabar de quê?

A intolerância o leva a se separar daqueles que não pensam como você. Não falo aqui da separação dos pecados dessas pessoas ou de seus costumes contrários à vontade de Deus, mas de isolar-se e tornar-se inacessível a elas. Já imaginou se Jesus se isolasse dos pecadores e nem conversasse com eles? O que teria sido da mulher samaritana?

Outra característica da intolerância religiosa é a opressão passiva, que é o espírito de crítica e zombaria. Por se achar superior, você passa a zombar de todos os que não pensam como você. Faríamos melhor se, ao invés de zombarmos, gastássemos o mesmo tempo levando o evangelho aos incrédulos ou instruindo os fracos na fé. O problema é que, nesse espírito de intolerância, a existência de incrédulos nos faz sentir superiores e não nos animamos muito a mudar isso.

O último nível da intolerância é a opressão ativa, que pode ir da simples ingerência na política para dificultar a vida daqueles que não têm a mesma fé, até a perseguição e morte, como aconteceu nos tempos da Inquisição e ainda acontece em algumas partes do mundo. Lá no evangelho de Lucas diz que os discípulos encontraram alguém que expulsava demônios em nome de Jesus, e o proibiram de fazê-lo por não fazer parte do grupo de discípulos. Jesus os repreende por isso.

Lá também diz que quando chegaram a uma aldeia de samaritanos, e estes não recebem a Jesus, Tiago e João perguntaram ao Senhor se deviam fazer cair fogo do céu para queimar aquele povo. Mais uma vez são repreendidos por Jesus, que diz: "Vocês não sabem de que espírito são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los".

Jesus não evita a mulher samaritana, não zomba de sua vida devassa, e nem a ameaça com fogo e enxofre. Isso ele fazer com pessoas religiosas, como os fariseus. Ele começa a conversa se interessando por sua busca por água, e também mostra que conhece suas necessidades e tem algo a oferecer. Pouco a pouco ele ajuda a mulher a reconhecer seus pecados e a desejar a água viva que ele oferece. Que água viva é essa? Você vai saber nos próximos 3 minutos.

#146 Como pregar o evangelho



Leitura: João 4:1-4
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=pS4z8991qS4

No capítulo 4 do evangelho de João há três lições, todas relacionadas ao evangelho: "como pregar", "o que pregar" e "para quê pregar". A primeira mostra o espírito ou disposição na qual cristão deve levar as boas novas. A última ensina o objetivo da salvação de uma alma. Entre uma coisa e outra temos o evangelho propriamente dito, que envolve o reconhecimento de pecado e um encontro pessoal com o Salvador.

A chave para o "como pregar" está na palavra "necessário", ou "importa", do versículo 4 . Ali diz que era "necessário" Jesus passar por Samaria. A outra ocorrência da palavra "necessário" é no versículo 23, e é também a chave para o "para quê pregar". Lá diz que é "necessário" que aqueles que adoram a Deus o adorem em espírito e em verdade.

Por que era necessário Jesus passar por Samaria? Não era por ser o caminho mais curto entre a Judeia, que era o centro do Judaísmo, e a Galileia, habitada por gentios. Os historiadores dizem que os judeus preferiam uma rota mais longa passando pela Pereia só para evitarem atravessar a Samaria. Eles odiavam os samaritanos, e nem mesmo conversavam com eles, por estes praticarem uma versão pirata do judaísmo, deturpando a religião dos judeus.

Mas era "necessário" Jesus passar por Samaria por causa da mulher samaritana deste capítulo. Ela precisava conhecê-lo, pois salvar pecadores era uma prioridade na agenda do Salvador. É neste espírito ou disposição que o cristão deve pregar. É "necessário" que ele vá ao encontro do pecador perdido, mesmo que para isso precise deixar de lado seus preconceitos e intolerância.

A intolerância é um dos efeitos colaterais de quem professa qualquer fé e, no caso do cristianismo, temos dois mil anos de história e sangue derramado como prova disso. Não falo aqui da aversão ao pecado, ou às ideias e práticas contrárias à vontade de Deus. Isto deve caracterizar o cristão, pois é condizente com a santidade de Deus. Falo da intolerância e aversão à pessoa do pecador, ao ser humano. Deus abomina o pecado, porém ama o pecador. Se não amasse, como enviaria seu Filho para morrer por injustos?

Em Romanos diz que alguém pode até dar a vida por uma pessoa boa, mas Deus demonstra o seu amor no fato de Cristo ter morrido por nós enquanto estávamos na condição de pecadores. Pense no pior bandido e pergunte a si mesmo se teria coragem de dar sua vida por ele, ou de entregar seu filho para morrer por ele. É preciso entrar neste sentimento para compreender até onde chegou o amor de Deus por você. Se não tiver essa compreensão você corre o risco de ter sua vida dirigida, não pela fé, mas pela intolerância religiosa. É o que você verá nos próximos 3 minutos.

#145 A unica escolha



Leitura: João 3:17-36
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=qw1sLx7aijU

Jesus diz a Nicodemos que "quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus". Percebe que não é uma questão de escolha entre ser salvo e ser condenado? Condenados todos já estamos por natureza. A única opção que nos resta é crer em Jesus para escapar dessa condenação.

Ao afirmar que "Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele", Jesus mostra que Deus ainda não desistiu de nós. Não é de hoje que ele vem submetendo o homem a diferentes testes para provar sua incapacidade de salvar-se a si mesmo. Por isso precisamos de um Salvador.

Primeiro o ser humano foi reprovado no teste da inocência, quando ainda morava no jardim do Éden. Tentados por Satanás, Adão e Eva se rebelaram contra o único pedido que Deus havia feito a eles, de não comerem o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

O teste seguinte foi para ver como o ser humano se sairia com sua recém adquirida consciência e o conhecimento do bem e do mal. Logo no início desse período Caim assassina seu irmão e tudo termina com um dilúvio, quando apenas oito pessoas foram salvas para recomeçar.

O teste seguinte foi dar ao homem autoridade para governar sobre seus semelhantes. Mas o próprio Noé, o primeiro a receber essa autoridade, prova ser incapaz de governar até a si mesmo. Em um ato de completa rebelião contra Deus os seus descendentes constroem a Torre de Babel. Deus intervém confundindo as línguas e dispersando a raça humana.

Deus tenta outra vez e chama um homem com quem faz uma aliança e lhe dá promessas de se tornar pai de uma multidão. Seu nome é Abraão e seus descendentes também descambam para a degradação. Vamos encontrá-los no final desse período como escravos no Egito. O livro de Gênesis, que começa falando da criação, termina falando de um caixão.

Deus liberta aquele povo e lhe dá uma lei para testar sua obediência aos mandamentos. Funcionou? Não. Enquanto Moisés recebia as tábuas da Lei o povo adorava um bezerro de ouro. No final desse período "os homens amaram mais as trevas do que a luz", quando Deus envia o seu Filho ao mundo e você sabe o que os homens fazem com ele.

A morte e ressurreição de Jesus inauguram mais um período que nem sei se posso chamar de teste, pois já vem com a resposta pronta: "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece". É o período da graça de Deus, ainda em vigor. Será que é pedir muito que você apenas creia em Jesus? Lembre-se: condenado você já está. Sua única esperança é crer em Jesus. Caso você já tenha crido, nos próximos 3 minutos Jesus nos mostra como pregar o evangelho.

#144 Joao 3:16



Leitura: João 3:16
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=OSWoco4cnoA

João 3:16 deve ser o versículo mais conhecido do mundo depois de "O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará", do Salmo 23. Por estarmos sempre mais preocupados com as nossas necessidades é que o Salmo 23 é tão popular, mas poucos percebem que para existir o Salmo 23 foi preciso existir o Salmo 22. Em algumas traduções católicas da Bíblia a numeração dos capítulos é diferente. Se for o caso, estou falando dos Salmos 21 e 22 nessas edições.

O Salmo 23, que fala de coisas boas como abundância, verdes pastos, águas tranquilas, refrigério, amor, consolo, bondade, misericórdia e cálice transbordante, não existiria se Jesus não tivesse passado pela cruz. É no Salmo 22 que está o brado que ele daria mil anos depois na cruz: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" É nesse Salmo que vemos Jesus abandonado por Deus, massacrado pelos homens, cercado de malfeitores, e com as mãos e os pés traspassados por grandes pregos.

Antes que viesse a salvação e todos os benefícios que Deus preparou para os salvos, era preciso que o Filho de Deus morresse em lugar do pecador. E essa obra magnífica está resumida em um versículo, João 3:16, o qual apresenta não só a base para podermos nascer de novo, mas também a razão ou motivo de Deus: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".

Primeiro, vem a origem de tudo, que é Deus, e o seu moto que é o amor. "Deus amou". Então vem o objeto do seu amor: "o mundo", o que não significa o planeta Terra, e nem a sociedade que os homens criaram, mas simplesmente todas as pessoas que vivem neste mundo. Em seguida não nos é dito o quanto Deus amou, por não existir vocabulário humano para tanto, e é aí que o Espírito Santo inspirou o apóstolo João a dizer simplesmente que Deus amou "de tal maneira".

Deus não ficou apenas amando os seres humanos perdidos em seus pecados, mas ele tomou a iniciativa de entregar o que tinha de mais precioso, Jesus, seu Filho. Se entregar um filho já é uma medida extrema, imagine entregar um filho para salvar pecadores. E foi o que Deus fez. Ele nos amou de uma maneira indizível, ao ponto de entregar o Seu Filho Jesus para morrer para tirar os nossos pecados e ressuscitar para nossa justificação.

Embora o amor de Deus seja universal e o sacrifício de Cristo suficiente para salvar todos os homens, apenas alguns serão salvos. Deus não amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que todos não pereçam e tenham a vida eterna. Não. Ele deu o seu Filho para que "todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". O que você acha, Deus incluiu você nessa salvação ou não? Nos próximos 3 minutos Nicodemos descobre que não se trata de uma escolha entre duas opções. Existe apenas uma opção.

#143 A serpente de bronze



Leitura: João 3:14-15
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=k52qfB4rOlU

Nicodemos irá agora receber a chave que abre o entendimento das Escrituras. Sem o Espírito Santo e essa chave é impossível compreender a Bíblia, a Palavra de Deus. Essa chave está no versículo 14 do terceiro capítulo do evangelho de João: "Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".

Jesus vai ao Antigo Testamento buscar um episódio ocorrido com os israelitas e o conecta a si mesmo e à sua morte na cruz. Esta é a chave: sem o Novo Testamento e a obra consumada de Cristo é impossível entendermos o Velho Testamento, pois o que aconteceu no passado são símbolos e figuras de Cristo. Ao ler uma passagem do Antigo Testamento você deve sempre perguntar: onde está Cristo aqui?

Nicodemos conhece bem o episódio narrado no livro de Números. Em sua peregrinação pelo deserto rumo à Terra Prometida os israelitas foram atacados por serpentes venenosas. Muitos morreram e o povo clamou por salvação. Deus ordenou a Moisés que fundisse uma serpente de bronze e a colocasse na ponta de uma haste, para que fosse levantada. Todos os que olhassem para ela eram imediatamente curados.

A figura da serpente nos remete ao jardim do Éden, ao pecado original. A serpente de bronze, traduzida às vezes como "serpente ardente", precisou passar pelo fogo para ser moldada, e há também a haste na qual a serpente é levantada. Tudo isso aponta para Jesus na cruz. Apesar de ser sem pecado, ele foi feito pecado por nós, suportou o fogo do juízo de Deus e foi levantado numa cruz. Os israelitas olhavam para a serpente de bronze levantada na haste e eram curados. Jesus crucificado é a cura para o pecado do homem.

Você só encontrará perdão e paz olhando para o crucificado, crendo que ele tomou o seu lugar, recebeu sobre o seu corpo os seus pecados e suportou todo o castigo de Deus que era devido ao pecador. O bendito resultado daquela obra consumada na cruz é que você agora pode ser salvo; pode receber de graça uma vida inteiramente nova vinda de Deus, e ser feito apto por Ele para viver eternamente no céu.

A partir daí você passa a ter duas naturezas: a velha, que herdou de Adão e foi condenada na cruz, também chamada de carne, e a nova natureza, vinda de Deus. Nenhuma dessas duas naturezas é capaz de melhorar: a velha, por estar totalmente arruinada, e a nova, por já ser perfeita. Elas são antagônicas. A primeira porque sua condição normal é pecar e ser totalmente avessa a Deus e a tudo o que vem dele. A segunda por vir de Deus e ter aversão ao pecado. A carta de Paulo aos Romanos explica melhor isso. Por enquanto, vamos voltar a Nicodemos e ao versículo que resume tudo. Nos próximos 3 minutos.

#142 O vento invisivel



Leitura: João 3:8-13
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=bQoAWTGkJFE

Se Jesus usou a água para simbolizar a ação da Palavra de Deus no novo nascimento, agora ele usa o vento como figura daquele que é nascido do Espírito Santo. Lembre-se de que ele está falando de um novo nascimento espiritual, gerado de cima para baixo, de Deus para o homem, e não de um renascimento da velha vida natural que trazemos em nós, nem tampouco do velho corpo de carne. “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”, por isso nem pense nisso como uma suposta reencarnação.

O novo nascimento é um ato soberano de Deus, não uma decisão do homem, e sem ele é impossível ao homem crer em Jesus. Em Efésios Paulo explica que o homem está espiritualmente morto em seus delitos e pecados. Coloque uma tonelada de pedras sobre um morto e nada acontecerá. Ele não sentirá o peso e tampouco será capaz de movê-lo ou terá qualquer desejo de fazer isso. Ele está morto.

Olhe para o ser humano como morto espiritualmente e você entenderá por que ele não sente a tonelada de pecados que pesa sobre si e nem tem qualquer desejo de se aproximar de Deus. Não há como fazer nem uma coisa, nem outra. É preciso uma intervenção divina que injete vida nesse homem morto para ele sentir o peso de seus pecados e clamar a Deus por libertação. Como isso acontece? Ninguém sabe, ninguém viu.

“O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”. Isso é o mais longe que podemos chegar para entender o novo nascimento. Sua ação é tão invisível quanto o vento, mas podemos ver os resultados naquele que nasceu de novo. A mudança é real. Nicodemos, porém, continua achando que Jesus está falando de um acontecimento físico, que pode ser analisado pela lógica racional de uma mente natural. Não pode.

Ele continua sem entender, e ganha, por assim dizer, um puxão de orelha: "Tu és mestre em Israel e não entendes estas coisas?" A resposta mais simples é "Não", porque Nicodemos ainda precisa nascer de novo. Ele até entende que o Messias deve vir e estabelecer seu Reino, mas não como isso acontece, ou como uma alma é transformada para poder participar desse Reino. Jesus deixa de lado o Reino e outras coisas terrenas e passa agora a falar de coisas celestiais. Mas quem tem autoridade para falar das coisas celestiais?

Somente alguém que tenha livre trânsito entre o céu e a terra -- alguém que não fosse levado para o céu, mas tivesse o poder de subir de moto próprio sempre que desejasse; alguém pré existente, que não apenas nascesse aqui, mas descesse para nascer aqui; alguém que seja Deus onipresente, para estar no céu ao mesmo tempo que está diante de Nicodemos -- tem autoridade para falar das coisas celestiais. Porque "ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu". Nos próximos 3 minutos vamos aprender o significado da serpente de bronze, cuja história Nicodemos já conhece do Antigo Testamento.

#141 Agua e Espirito



Leitura: João 3:5-7
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=SZuTzoLnugs

Jesus diz a Nicodemos que ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito. Que água é essa? No capítulo 1 deste Evangelho de João você aprende que ninguém nasce de novo, e se torna filho de Deus, por consanguinidade, pela intervenção de algum homem ou pela vontade própria. Trata-se de um processo sobrenatural que transcende a vontade humana. A água aqui não deve ser o batismo, que ocorre pela vontade quem batiza ou é batizado. Mas então, que água é essa?

Vamos dar uma olhada em outras passagens que falam de purificação, e também de novo nascimento, nova vida ou nova criatura, para identificarmos o que está sendo representado aqui pela palavra “água”.

Efésios 5:26: "Maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra";
1 Pedro 1:23 "Tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus";
Tiago 1:18 "Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas".

O modo como o Senhor usa exemplos naturais para ensinar verdades espirituais é surpreendente. Duas coisas são essenciais para a existência de vida no planeta. A primeira é a água, a segunda é a intervenção divina, pois somente Deus é o autor da vida. Não é diferente no novo nascimento, e nada melhor do que a água para simbolizar a Palavra de Deus.

Veja algumas características da água natural, cuja ação e poder nos lembram a Palavra de Deus:

A maior parte do planeta é coberta por água, ela é acessível a todos. Apesar de ser impossível definir seu sabor, a água refresca, revigora e satisfaz. Ela é um solvente universal, que dilui, lava e purifica. Embora aparentemente frágil, suas gotas são capazes de furar a mais dura rocha, seu fluir dissolve montanhas e suas correntes moldam os continentes. É nela que se encontra a maior quantidade de vida do planeta, e essa mesma vida é formada principalmente por água. Boa parte dela corre oculta aos olhos humanos, em rios subterrâneos, na seiva que dá vida às plantas e no sangue que corre em nossas veias. Sem água não há vida; sem a Palavra de Deus não há vida nova.

O mesmo João, em sua primeira carta, diz que Jesus veio por água e por sangue, referindo-se à água e ao sangue que saíram de seu lado ferido pela lança do soldado na cruz. Aquele é o sangue que tira os nossos pecados e aquela é a água que nos purifica. Além da água, Jesus fala a Nicodemos da ação do Espírito Santo no nascimento espiritual. Como Nicodemos parece ainda não entender, vamos precisar de mais 3 minutos.

#140 Nicodemos



Leitura: João 3:1-4
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=4HrRxZN78fU

Se religião fosse suficiente para salvar alguém, Nicodemos não precisaria conversar com Jesus. Ele é um homem religioso, uma autoridade em judaísmo, e vai à noite se encontrar com Jesus. Numa sociedade sem eletricidade, ir à noite se encontrar com um desconhecido não é algo comum, a menos que você não queira que seus amigos o vejam. Pode ter sido o caso de Nicodemos.

Os sacerdotes, fariseus e saduceus não estão gostando nem um pouco da situação. Primeiro aparece um tal de João batizando e anunciando a chegada do Cordeiro de Deus. Depois vem Jesus, fazendo milagres e atraindo multidões. O clero odeia concorrência, mesmo que seja do próprio Deus vindo ao mundo na forma humana.

Apesar de toda a religião, Nicodemos sente que falta algo. Ele chama Jesus de Mestre, sem fazer ideia de que está diante daquele que o profeta Isaías chamou de “Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe de Paz”. Considerar Jesus apenas um mestre, ou espírito evoluído, como alguns hoje gostam de chamá-lo, é como parabenizar Einstein por saber somar dois mais dois. Jesus é Deus e como tal deve ser reconhecido e adorado.

A resposta de Jesus parece não ter coisa alguma com o início da conversa de Nicodemos. Mas tem. Imediatamente após ser elogiado como mestre, Jesus dispara: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Em outras palavras, se Nicodemos quisesse conversar, teria de ser em outro nível. Antes de poder enxergar a esfera na qual Jesus atuava Nicodemos precisaria receber uma nova vida, ser transformado numa nova criatura. Ele precisava nascer de novo, nascer do alto ou nascer de Deus.

Jesus usa o exemplo do nascimento natural. Antes de nascer, você não fazia nem ideia do que havia fora daquele mundinho onde passou nove meses. Além disso, sua geração e o próprio nascimento não dependeram de você, mas de seus pais. Todas as decisões e todos os esforços foram de outros, não seus. Você foi um agente passivo em todo o processo. O que Jesus quer dizer é que, embora seja necessário a Nicodemos nascer de novo para ver o reino de Deus, é tão impossível ele próprio fazer isso quanto uma criança resolver nascer neste mundo.

Neste ponto Nicodemos entende menos ainda do que entendia quando chegou para conversar com Jesus. Ele não consegue pensar fora da caixa das coisas naturais e pergunta como é possível alguém voltar ao ventre da mãe para renascer. Mas Jesus responde que não está falando de um nascimento natural. Não se trata de voltar ao ventre da mãe ou reencarnar, como acreditam alguns. É necessário nascer da água e do Espírito Santo. Do Espírito Santo você já ouviu falar, mas de que água Jesus está falando? É o que você irá ver nos próximos 3 minutos.

#139 Aproveitadores



Leitura: João 2:12-25
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=l9X7T8uC_Ls

É provável que muitos daqueles que participaram da festa de casamento em Caná estivessem três anos depois no julgamento de Jesus entre os que gritavam “Crucifica-o! Crucifica-o!”. Muitos foram alimentados, curados e libertados por ele, mas nem todos realmente se converteram ao Salvador. O livro de Hebreus fala algo sobre isso.

Lá diz que é impossível que aqueles que uma vez foram iluminados, provaram a dádiva do céu, desfrutaram dos benefícios do Espírito Santo, experimentaram a boa Palavra de Deus e o poder de uma era ainda futura e, mesmo assim, voltaram atrás, sejam reconduzidos ao arrependimento. Em Hebreus não diz que tenham crido, mas tão somente que desfrutaram dos privilégios da presença de Jesus como meros aproveitadores.

É o caso dos judeus daquela época. Tiveram o privilégio de ver e experimentar tudo isso, e mesmo assim se recusaram a crer no Messias que estava bem ali no meio deles. Na continuação do capítulo Jesus vai ao Templo em Jerusalém e encontra a casa de Deus transformada em um mercado. Não é de hoje que a religião atrai aproveitadores. As condições daquele povo e de sua religião não eram muito diferentes das que você encontra hoje na cristandade. Como diz o ditado, “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”.

Mas eu quero chamar sua atenção para o final do capítulo 2 de João. Ali diz que Jesus fez muitos milagres em Jerusalém, e muitos daqueles que viram esses sinais creram no seu nome. E o capítulo termina assim: “Mas o próprio Jesus não acreditava neles, pois conhecia a todos, e não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, pois ele bem sabia o que havia no homem”.

E o que há no homem? O desejo de se aproveitar de Deus e manipulá-lo ao seu bel prazer. Se você está atrás de Jesus por interesse em algum benefício para sua saúde, finanças ou vida sentimental, ainda não entendeu quem ele é e o que veio fazer aqui. Ele veio morrer em seu lugar para que você tenha todos os seus pecados perdoados; veio resgatar você do pecado, da morte e de Satanás. Veio para transformá-lo em um adorador que adore a Deus em espírito e em verdade por toda a eternidade, pois era essa a intenção inicial de Deus para os seres humanos. A coisa toda é para Deus, não para mim ou para você, ainda que sejamos abençoados em tudo isso.

Ir a Jesus para resolver algum problema pessoal não é muito diferente do que fazem os pagãos com seus talismãs, ídolos e gurus. A verdadeira fé não busca as dádivas de Deus, mas o Deus das dádivas. A verdadeira fé enxerga em Jesus, não uma cornucópia inesgotável de saúde, riqueza e felicidade, mas o vê como o Cordeiro de Deus, aquele em quem todas as coisas irão convergir no final. Isso não está muito claro para você? Não tem problema, vá a Jesus mesmo assim, do jeito que está, com suas dúvidas e indagações, como faz Nicodemos nos próximos 3 minutos.

#138 O primeiro milagre



Leitura: João 2:1-11
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=C7Basn-K7fc

O primeiro milagre de Jesus, ao transformar água em vinho em uma festa de casamento, pode ser visto também como o primeiro milagre que ele faz na vida de uma pessoa. Veja quantas coisas interessantes você encontra no capítulo 2 do Evangelho de João, a começar pela expressão “ao terceiro dia”, a mesma usada no capítulo que fala de sua ressurreição. Este e o próximo capítulo nos falam da água, um símbolo da Palavra de Deus, como a origem da nova vida, a vida que é compatível com a ressurreição.

Os judeus costumavam manter grandes potes ou vasos de pedra para armazenar a água usada nos rituais de purificação. Jesus diz aos servos para encherem de água os seis potes existentes no local, cada um com cerca de cem litros. Milagrosamente a água se transforma em seiscentos litros de vinho da melhor qualidade. O versículo 11 deste capítulo diz claramente que este foi o primeiro milagre feito por Jesus, portanto se você ouviu falar de algum milagre feito em sua infância ou adolescência pode ter certeza de que é pura invenção.

Somos como aqueles vasos de pedra: empedernidos e vazios da verdadeira alegria. Cedo ou tarde a alegria natural que o mundo oferece sempre chega ao fim, como o vinho da festa. Mas a alegria sobrenatural que Deus dá aos que creem em Jesus é eterna. Você já experimentou esse primeiro milagre em sua vida? Você já se deixou encher até em cima pela água, uma figura aqui da Palavra de Deus?

Se assim for, essa Palavra que que você ouviu em algum lugar será transformada por Jesus em vida e alegria. Uma mudança literalmente da água para o vinho, sobrenatural, radical, completa. Mesmo que por fora você pareça ser o mesmo rude e áspero vaso de pedra, por dentro aconteceu um milagre que lhe deu vida, e vida eterna, além da alegria de saber que seus pecados foram todos pagos por Jesus na cruz.

Ninguém vê a transformação ocorrendo dentro daqueles grandes vasos. O modus operandi de Deus está além de nossa visão e compreensão. A Palavra de Deus também opera assim, em nosso interior. O livro de Hebreus diz que “a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração”.

Essa Palavra se resume na seguinte declaração do apóstolo Paulo em 1 Coríntios: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”. Você crê nisso? Se você realmente crê, o primeiro milagre em sua vida será essa transformação realizada por Deus. Mas, se você tem ido atrás de Jesus em busca de outros milagres, talvez seja de você que ele esteja falando nos próximos 3 minutos.

#137 O pedido de Maria



Leitura: João 2:1-11
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=7RGIteCoR7g

Alguns leem o capítulo 2 do evangelho de João e tiram a seguinte conclusão: Maria pediu a Jesus para resolver o problema da falta de vinho, portanto tudo o que pedirmos a Maria ela pedirá ao seu filho e ele fará a vontade de sua mãe. Mas será que ela pede alguma coisa aqui? Não.

Maria apenas observa que o vinho acabou. Embora ela pudesse desejar que Jesus tomasse alguma providência, ela não pede isso explicitamente. Jesus, por sua vez, diz a Maria, “mulher, que tenho eu contigo?” A expressão “mulher” não é desrespeitosa, mas equivale a “senhora” ou “dona Maria”, como diríamos hoje. Já a expressão “que tenho eu contigo?” deixa claro que Maria não exerce qualquer influência sobre Jesus e seu ministério.

Em outra ocasião os discípulos avisam a Jesus que sua mãe e seus irmãos o buscam. Ele responde: “Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?” E continua dizendo que “qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe”. Seu ministério não estava sujeito aos vínculos naturais de parentesco, mas exclusivamente à vontade de Deus Pai.

De todas as mulheres, Maria foi a escolhida para ter o Filho de Deus gerado em seu ventre pelo Espírito Santo. Sua missão não vai além disso e em momento algum você a encontra como mediadora entre os homens e Jesus. Qualquer informação sobre Maria que ultrapasse o que está escrito na Palavra de Deus é invenção humana.

No Novo Testamento há apenas umas vinte referências a Maria, enquanto o nome de Jesus aparece quase mil vezes. Este mesmo Jesus diz a você: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. Como alguém pode desprezar um convite assim e ousar ir a Maria ou a qualquer outro na hora da necessidade?

Não pense que eu esteja de algum modo desrespeitando a memória de Maria. Estou apenas dizendo para você se concentrar naquele que Deus, os profetas e apóstolos concentram sua atenção: Jesus. Você não encontra qualquer referência a Maria nas cartas dos apóstolos. Se existisse alguma doutrina importante relacionada a ela, você acha que Paulo e os outros apóstolos teriam deixado isso passar em branco?

Em nosso capítulo Maria apenas diz aos servos que façam tudo o que Jesus ordenar, e este sim é um conselho sábio. Maria foi salva por Jesus, o único sem pecado, faleceu e hoje está no céu, em espírito, aguardando a ressurreição com todos os que creram em Jesus em todas as épocas. Pedir algo a ela ou a qualquer outro falecido é invocar os mortos, algo que a Bíblia condena com veemência.

Você respeita e admira Maria? Então siga o conselho dela: olhe só para Jesus e faça tudo o que ele mandar. E nos próximos 3 minutos ele ordena que os vasos sejam cheios de água.

#136 A festa de casamento



Leitura: João 2:1-11
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=_eXUNDtp0hY

Se os homens quisessem inventar uma história para dizer que Deus veio ao mundo na forma humana, certamente escolheriam um milagre espantoso para inaugurar sua carreira aqui. Algo como curar uma cidade inteira de uma epidemia, destruir o exército inimigo com um raio ou sair voando diante de todos.

Mas este evangelho surpreende pela forma como apresenta o início do ministério de sinais e milagres de Jesus. Quem ousaria imaginar que Deus, ao se fazer homem, inauguraria sua carreira de sinais e milagres resolvendo o problema de um serviço de bufê numa festa de casamento? Pois o capítulo 2 do Evangelho de João diz que é exatamente este o primeiro milagre de Jesus.

Ele não começa curando enfermos, alimentando famintos ou expulsando demônios, ainda que viesse a fazer isso em outras ocasiões. Jesus começa seu ministério em uma festa de casamento transformando água em vinho. O que será que Deus quer nos dizer com isso? Muitas coisas.

A primeira é que seu ministério é diferente do de Moisés, por intermédio de quem Deus havia dado a Lei aos judeus. Moisés transformou a água em sangue e morte, mas aqui Jesus transforma água em vinho. O Salmo 104 diz que Deus "faz crescer o pasto para o gado, e as plantas que o homem cultiva, para da terra tirar o alimento: o vinho, que alegra o coração do homem; o azeite, que faz brilhar o rosto, e o pão que sustenta o seu vigor". O vinho é um símbolo de alegria.

O ministério de Jesus começa em festa e alegria porque é assim também que a história termina no céu. Sabe o que acontece no capítulo 19 de Apocalipse, quando os salvos por Jesus se encontram com ele? Uma festa de casamento! "Vamos nos alegrar e dar-lhe glória!", é o que diz lá, "pois chegou a hora do casamento do Cordeiro e a sua noiva já se aprontou... felizes os convidados para o banquete do casamento do Cordeiro!" Em Apocalipse a noiva é a Igreja, o conjunto dos salvos por Jesus desde a descida do Espírito Santo registrada no capítulo 2 de Atos dos Apóstolos.

Tudo começa com uma festa de casamento e termina com uma festa de casamento. Esta, do evangelho de João, ainda não é a festa do casamento de Jesus, e ele diz à sua mãe que a sua hora ainda chegou. Mesmo assim ele considera o evento tão importante que faz ali o seu primeiro milagre: transforma água em vinho, símbolo da alegria do homem. Quando o mestre-sala ou encarregado da festa prova a água transformada em vinho, chama o noivo e o parabeniza por ter guardado o melhor vinho para o final. Poderíamos dizer ao mestre-sala que ele deu os parabéns ao noivo errado e que, quanto à qualidade do vinho, que ele ainda não viu nada!

Nos próximos 3 minutos mais lições do primeiro milagre de Jesus.

#135 O problema de Natanael



Leitura: João 1:45-51
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=mHqwGWpl6KE

Em sua alegria de recém convertido, Filipe vai contar as boas novas a Natanael. Os novos convertidos são os mais apaixonados em evangelizar. Repare, porém, que a mensagem de Filipe não está totalmente correta. Ele diz ter encontrado aquele de quem escreveram Moisés e os profetas, Jesus de Nazaré, filho de José.

Jesus não era de Nazaré, era de Belém, e não era filho biológico de José, mas tinha sido gerado pelo Espírito Santo. Mesmo sem saber tudo sobre Jesus, Filipe é usado por Deus para levar as boas novas. Se você acabou de conhecer o Salvador, não se acanhe achando que só pode falar dele depois de conhecer muito bem a Bíblia. Os sacerdotes estudavam todos os dias as Escrituras e se gabavam de conhecê-las, e mesmo assim crucificaram o Messias.

Se você se orgulha de sua bagagem e despreza o novo convertido que fala de Jesus de forma capenga e pouco ortodoxa, cuidado, pois o conhecimento ensoberbece. Ajude o novo convertido a entender melhor as Escrituras, como fazem Priscila e Áquila no livro de Atos com o eloquente Apolo, um jovem com muita motivação, porém com pouco conhecimento de Jesus. Você não precisa se dar ao trabalho de desmotivar o novo convertido. Satanás já faz isso.

O problema de Natanael é justamente saber mais do que Filipe, o que o faz agir com desprezo e desdém. Natanael sabe que o Messias deve vir de Belém. "Acaso pode vir alguma coisa boa de Nazaré?", ironiza ele, constrangendo Filipe. Ironia e sarcasmo são atitudes de pessoas que se consideram superiores. Ao usar de seu conhecimento das Escrituras para ridicularizar a mensagem trazida por Filipe, Natanael está, por assim dizer, "cozendo o cabrito no leite da própria mãe". A expressão do Antigo Testamento indicava que aquilo que Deus fez para alimentar os pequeninos nunca deve ser usado para matá-los.

Filipe faz bem em não discutir. Ele simplesmente convida: "Vem e vê". É por aí mesmo. "Provai e vede que o Senhor é bom", diz o Salmo. Experimente crer em Jesus. Natanael aceita o convite e é levado a Jesus, que revela detalhes de seu caráter e diz tê-lo visto sentado sob a figueira. O Senhor sabe quem somos e onde estamos, e isso impressiona Natanael, que passa a chamar Jesus de Mestre, Filho de Deus e Rei de Israel.

Mas não se iluda pensando que um encontro pessoal com Jesus é o final da história. É apenas o começo. "Você creu só porque eu disse que o vi debaixo da figueira?", pergunta Jesus a Natanael. Jesus garante que Natanael verá coisas ainda maiores, como o próprio céu aberto. O céu aberto é a visão reservada a todo aquele que crê em Jesus, e será também a sua expectativa se você crer nele. Ao incrédulo, porém, só lhe resta esperar por uma cova aberta e pelo abismo aberto ao sair desta vida. Nos próximos 3 minutos os milagres de Jesus começam numa festa.
As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

Para baixar os vídeos:

http://www.mediafire.com/?50ddj2c90jjjs É permitido gravar, copiar e distribuir gratuitamente.